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Vereadora Pastora Mel acusa vereador Kleber de misoginia; parlamentar rebate, mas pede desculpas

Data da Publicação:

07/04/2026

Poços de Caldas (MG) – Durante sessão ordinária desta terça-feira da Câmara Municipal a vereadora Pastora Mel acusou o vereador Kleber Silva de ter adotado comportamento misógino durante um desentendimento ocorrido antes de uma reunião da Comissão Especial de Terras Raras, realizada em 17 de março de 2026. Em resposta, o parlamentar negou qualquer intenção de ofensa direcionada às mulheres, pediu desculpas publicamente e afirmou que, se sua fala foi interpretada como ofensiva, precisa rever sua conduta.
Segundo Pastora Mel, o episódio aconteceu antes do início da sessão da comissão, em um momento de conversa entre parlamentares sobre temas políticos em discussão na Casa, entre eles o posicionamento dos vereadores em relação à votação das contas do ex-prefeito. De acordo com a vereadora, o ambiente era inicialmente normal e fazia parte da rotina legislativa, em que os parlamentares debatem previamente matérias e posicionamentos. No entanto, ela afirma que, durante a discussão, Kleber Silva elevou o tom de voz, passou a adotar uma postura agressiva e utilizou expressões que, na avaliação dela, ultrapassaram o limite do debate político e atingiram diretamente sua condição de mulher.
Ao ocupar a tribuna, Pastora Mel afirmou que o episódio não poderia ser tratado como uma simples divergência entre colegas, mas sim como uma manifestação de desigualdade estrutural ainda presente na política. Em seu discurso, a vereadora destacou que, embora as mulheres representem mais da metade da população brasileira, continuam ocupando uma parcela pequena dos espaços de poder, inclusive nas câmaras municipais. Para ela, isso se reflete não apenas na sub-representação feminina, mas também na forma como mulheres eleitas são tratadas, frequentemente interrompidas, deslegitimadas ou alvo de ataques pessoais e políticos.
A parlamentar relatou que uma das expressões que mais a atingiu foi a frase em que teria sido acusada de “importunar” o colega. Para Pastora Mel, o termo possui carga pejorativa e não pode ser interpretado como neutro dentro daquele contexto. Em sua avaliação, a fala representou uma tentativa de diminuir sua atuação política, como se seu direito de se posicionar, questionar e participar do debate legislativo fosse um incômodo. A vereadora sustentou que foi eleita legitimamente e que ocupa o mesmo espaço institucional que os demais parlamentares homens, tendo, portanto, o mesmo direito de se manifestar e defender suas convicções.
Ainda de acordo com a vereadora, o que mais chamou sua atenção foi o fato de que, naquele momento, outros vereadores também participavam da conversa, mas a reação mais dura teria sido dirigida exclusivamente a ela, que era a única mulher presente. Para Pastora Mel, isso evidencia que não se tratou de uma reação aleatória ou isolada, mas de uma postura que, em sua interpretação, teve recorte de gênero. Ela classificou o comportamento como misógino, afirmando que a situação ultrapassou o campo do embate político e passou a atingir a dignidade feminina dentro de um espaço que deveria ser pautado pelo respeito institucional.
Outro ponto de maior peso em seu pronunciamento foi a referência a uma fala atribuída a Kleber Silva, segundo a qual ele teria dito que “não abaixa a cabeça para mulher nenhuma”, acrescentando que não abaixaria nem para a própria mãe e nem para Jesus Cristo. Para Pastora Mel, a declaração foi especialmente grave porque, ao mencionar que não abaixa a cabeça para mulher nenhuma, o vereador não estaria ofendendo apenas uma colega de plenário, mas simbólica e coletivamente todas as mulheres. Como mãe, ela disse ter sentido a fala como um desrespeito ainda mais profundo, por atingir valores ligados à maternidade, à dignidade e ao reconhecimento da importância das mulheres na sociedade.
A vereadora também associou a menção a Jesus Cristo a um desrespeito à fé cristã, ressaltando sua condição de pastora e única representante com esse perfil na história da Câmara. Para ela, o conteúdo da manifestação não poderia ser relativizado, principalmente porque carrega, em sua interpretação, elementos que tocam não apenas a questão de gênero, mas também o respeito religioso. Durante o pronunciamento, Pastora Mel ainda criticou o uso de expressões como “tá nervosa?”, afirmando que esse tipo de comentário reforça estereótipos historicamente usados para desqualificar a fala das mulheres, retratando como descontrole aquilo que muitas vezes é apenas firmeza, convicção e exercício legítimo de mandato.
Ela declarou que não pretende se calar diante de episódios que considera ofensivos ou violentos sob a perspectiva de gênero. Disse ainda que sua presença na Câmara está ligada também ao compromisso de abrir caminhos para outras mulheres, representar as que historicamente foram silenciadas e enfrentar qualquer tipo de intimidação, perseguição política ou violência simbólica. Para a parlamentar, o caso não diz respeito apenas a um atrito pessoal, mas a uma discussão mais ampla sobre como mulheres são tratadas em espaços públicos de poder.

Resposta
Após a manifestação, com base no Regimento Interno da Câmara, o presidente da Câmara, vereador Douglas Dofu, concedeu a palavra ao vereador Kleber Silva para direito de resposta, uma vez que ele havia sido nominalmente citado. Em sua fala, o parlamentar adotou tom conciliador, afirmou que respeita a vereadora e disse que os dois já haviam conversado após o episódio. Kleber reconheceu que houve um momento de estresse entre ambos, mas sustentou que a situação foi mútua e que não teve a intenção de atacar a colega por ela ser mulher. Segundo ele, sua reação ocorreu em meio a um contexto de tensão relacionado à discussão política daquele momento, especialmente diante da repercussão envolvendo a votação das contas do ex-prefeito e da pressão que teria sofrido em razão dessa decisão.
Kleber declarou que, ainda no dia do desentendimento, pediu desculpas à vereadora caso ela tivesse interpretado sua fala de forma negativa. Na tribuna, voltou a pedir perdão publicamente, afirmando que, se em algum momento ela se sentiu maltratada, ofendida ou desrespeitada, ele reconhecia a necessidade de corrigir esse ponto. O vereador reforçou que não tem nada contra a colega e negou que tenha agido com o objetivo de diminuí-la enquanto mulher, parlamentar ou pessoa. Ao mesmo tempo, admitiu que seu jeito de falar, considerado por ele mesmo como mais duro ou “truncado”, pode ter contribuído para o mal-estar.
Durante sua defesa, Kleber também afirmou que não se considera uma pessoa misógina e que trata a vereadora com o mesmo respeito dispensado aos demais membros da Casa. No entanto, em um dos trechos mais significativos de sua fala, reconheceu que, se Pastora Mel se sentiu ofendida, isso já é um indicativo de que precisa rever sua postura. “Se a senhora sentiu ofendida é porque eu preciso corrigir”, afirmou, acrescentando que não vê problema em reconhecer erros e mudar comportamentos quando necessário.

Réplica
Ao final, Pastora Mel exerceu o direito de réplica e rebateu alguns pontos da fala do vereador. Ela afirmou que, apesar de conseguir manter uma convivência institucional e profissional com qualquer colega de Parlamento, a gravidade do caso exigia uma conversa mais séria, direta e responsável, e não apenas um comentário informal no corredor. A vereadora também contestou a justificativa de que o comportamento agressivo faria parte do jeito pessoal do colega, ressaltando que dentro da Câmara os vereadores não podem agir apenas segundo impulsos individuais, mas devem observar limites institucionais, responsabilidade pública e respeito na fala. Para ela, frases como as citadas durante o episódio são inadmissíveis dentro de uma Casa Legislativa.

 

PAULO VITOR DE CAMPOS
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