O mercado de trabalho brasileiro dá sinais claros de transformação — e as mulheres estão no centro desse movimento. O crescimento de 11% na participação feminina, com a inclusão de cerca de 800 mil novas trabalhadoras, revela não apenas uma retomada econômica, mas também uma mudança estrutural na forma como o país incorpora sua força de trabalho. O avanço é ainda mais significativo quando se observa a ampliação de oportunidades para mulheres negras e pardas, historicamente as mais excluídas.
Mas o dado que acompanha esse progresso impõe um freio à celebração. Mesmo com maior presença, as mulheres continuam recebendo, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas privadas de maior porte. Trata-se de uma desigualdade que resiste ao tempo, às leis e às mudanças sociais — e que expõe uma contradição profunda: o mercado abre portas, mas ainda remunera de forma desigual.
O 5º Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, reforça a importância de dar visibilidade a esse problema. A transparência é um passo fundamental, mas não suficiente. É preciso transformar dados em ação, diagnósticos em políticas concretas e compromissos institucionais em resultados mensuráveis.
A desigualdade salarial não é apenas uma questão de justiça social. É também um entrave econômico. Países e regiões que aproveitam melhor o potencial produtivo das mulheres crescem mais, inovam mais e distribuem melhor sua renda.
O avanço existe — e deve ser reconhecido. Mas ele só será completo quando vier acompanhado de equidade.
Porque desenvolvimento de verdade só acontece quando é para todos. E, definitivamente, também para todas.